Os grandes mitos sobre o parto normal: afinal, é perigoso?

mitos sobre o parto normal

14.03.2018 por Rafael Kraisch

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A gravidez da mulher está permeada de mitos sobre o parto normal. Será que é possível um parto natural sem dor e facilitado?

Hoje tratarei sobre o assunto que é, infelizmente, cheio de tabus e desinformação e de que maneiras a hipnose pode atuar para transformar o parto em um momento harmonioso e saudável: para a mãe e para o bebê. Continue lendo!

 

Avalanche de informações

Sou pai e também conheço a verdadeira avalanche de hormônios que as mulheres enfrentam durante uma gravidez.

Essa é uma etapa da vida em que as emoções podem gerar conflitos internos e muitas dúvidas. Dentre muitas avalanches, sem dúvidas a ansiedade também é uma mazela enfrentada pelas mulheres.

Para esse caso, tenho um livro que pode ser muito útil e está disponível no link: Ansiedade sob controle

Sei também de uma outra avalanche: a de informações, conselhos e maluquices que a sociedade despeja sobre elas.

A ansiedade é grande, e a quantidade de vozes por todos os lados parece dificultar ao invés de fazer às futuras mamães qualquer favor.

Isso pode causar uma grande sensação de estresse, extremamente deletéria à saúde da gestação! Preparei uma lista com dicas práticas. Leia aqui as Melhores Táticas para Destruir o Estresse.  

São algumas afirmações que não passam de mitos, lendas. Quer alguns exemplos?

Afirmações de que todo parto é dolorido, ou de que cuidar de crianças é difícil, ou que a mulher deixar de ser “esposa” quando tem o primeiro filho são algumas das coisas que você ouve quando está gerando outra vida.

Se você está grávida e quer encontrar uma maneira especial de aproveitar este momento tão único, leia um pouco mais para saber sobre:

  • Sem dilatação, tenho que ir para a cesárea?
  • E se o cordão umbilical enrolar no bebê?
  • Parto normal é dolorido demais!
  • Será que meu corpo dá conta?
  • É possível ter uma gestação e um parto indolor e fácil?

As Lendas do Parto Normal

Provavelmente não existe assunto que seja mais envolto em medos, tabus e mitos do que o tema “parto”.

Quem está ou já esteve grávida um dia sabe bem o que é ouvir da manicure, da vizinha ou de conhecidos próximos, histórias tenebrosas sobre bebês que morrem na barriga, dos que ficam com paralisia cerebral por causa do parto, do líquido que seca, do cordão em volta do pescoço que sufoca o bebê e por aí vai.

A mensagem entre as linhas é a de que as mulheres de hoje não são capazes de parir seus filhos e que passar pelo parto normal é algo extremamente perigoso e antiquado.

Pensando em proteger os ouvidos e o coração das mulheres de tamanho “ataque” e fortalecer suas escolhas conscientes, vamos desvendar aqui mitos sobre o parto normal, tendo como norte as evidências científicas e algum conhecimento sobre fisiologia do parto.

 

# Mito 1 “Meu útero não dilatou e teve que ser cesárea.”

Tecnicamente falta de dilatação não existe. Existem tempos diferentes para cada mulher dilatar.

É muito comum ver mulheres chegando cedo demais no hospital, ainda em pródromos ou em um falso trabalho de parto.

Pode acontecer sim uma evolução difícil da dilatação, ou uma dilatação que estaciona em alguns centímetros e não vai para frente.

Provavelmente alguma “interferência” do ponto de vista emocional ou até mesmo do ambiente externo (excesso de luzes e pessoas observando, ar condicionado forte, clima tenso) pode estar interferindo negativamente e caberia à assistência eliminar tais estímulos e ajudar a mulher a enfrentar seus medos e ir em frente.

 

# Mito 2 “O cordão estava em volta do pescoço do bebê, se fosse parto normal ele iria se enforcar e morreria.”

Na verdade, cerca de 30% dos bebês nascem com circular de cordão e nascem de parto normal.

O cordão umbilical é bem comprido e é preenchido de uma gelatina elástica e todo torcido, preparado justamente para não interromper o fluxo de sangue se for dobrado ou enrolado.

O bebê recebe oxigênio através do sangue que passa pelo cordão umbilical e não respira pelos pulmões justificando que iria sufocar, enforcado no cordão.

Pode acontecer alguns casos raros (bem raros mesmo) de haver um cordão umbilical curto demais, o que impediria a saída do bebê do útero se estivesse com circular.

Isto seria detectado durante o trabalho de parto (pela escuta dos batimentos cardíacos do feto) e aí sim uma cesárea seria necessária e bem vinda.

 

# Mito 3 “O Medo da dor – Muitas mulheres dizem que não conseguiriam passar por um parto normal por serem muito sensíveis à dor”

Na verdade não sabemos como é a dor do parto antes de passar por ela e nem como agiremos.

A dor do parto é sábia, vem em ondas dando um intervalo de descanso entre uma onda e outra, permitindo que a grávida se recupere nos espaços.

A dor do parto também tem uma função: faz com que o organismo libere diversos hormônios fundamentais para este período, que irão interferir até mesmo na amamentação, como a endorfina, analgésico natural.

Além disso, o processo da dor permite que nos descubramos cada vez mais fortes e capazes. Quantas mulheres não se surpreendem com a força que têm depois de um parto!

Essa mesma força nos garante muita confiança para cuidar de um recém-nascido.

Vale a pena tentar e conhecer de perto as diversas técnicas de alívio de dor e desconforto como o uso da água, posições, massagens e até mesmo a anestesia na fase final do parto.

 

#Mito 4 Cesárea é um procedimento indolor – “Tenho muito medo da dor do parto, então já marquei a data da cesárea.”

Outro mito.

O corte da cesárea geralmente dói de forma contínua por algumas semanas ou até meses depois do parto, bem quando a grávida precisa estar em boas condições para cuidar do bebê!

Vale a pena lembrar que uma cesárea é uma cirurgia de grande porte, corta sete camadas de tecido, incluindo o músculo abdominal.

No momento da cirurgia, a grávida está anestesiada, mas geralmente sente todo o processo de abrir e mexer com o bebê e com o útero, sensação que pode ser bastante aflitiva para muitas mulheres.

 

# Mito 5 Bacia estreita ou bebê grande demais.

A ideia aqui é que a cabeça do bebê seria maior do que a bacia da mãe e não poderia passar pelo canal de parto.

Esta desproporção pode até acontecer, mas em casos muito raros.

O fato é que é tecnicamente impossível saber se o bebê não vai passar antes que o trabalho de parto tenha começado e a dilatação esteja completa.

Ou seja, só é possível diagnosticar um caso real de desproporção entre cabeça do bebê e pelve da mãe, no final do trabalho de parto.

E, mesmo que se encaminhe para a cesárea, mãe e bebê tiveram muitos ganhos, do ponto de vista hormonal e psíquico, por terem passado pelo trabalho de parto.

 

#Mito 6 Parto demorado – A ideia aqui é que se um parto for muito demorado o bebê estaria correndo sério risco de vida.

Não existe um padrão de tempo predeterminado para o parto acontecer. Cada mulher tem um tempo próprio para parir.

Um parto pode demorar 1 hora como pode demorar 3 dias.

O que é importante é avaliar adequadamente se os sinais vitais do bebê e da mãe estão bem, o que se faz pela escuta dos batimentos fetais e da pressão e vitalidade da mãe.

Enquanto estes sinais estiverem num padrão tranquilizador, então o parto está no tempo certo.

 

#Mito 7 Parto normal “estraga” a mulher

A ideia aqui é de que a passagem do bebê pela vagina alargaria o canal de parto, interferindo negativamente no prazer sexual do casal.

Eis um grande mito – e grande absurdo.

O canal por onde passa o bebê é como um diafragma , a vagina e o períneo (musculatura que envolve a entrada da vagina e ânus) são grandes e fortes músculos e sendo assim, tem a capacidade de relaxar e contrair, voltando ao tamanho normal ou muito próximo ao normal depois do parto.

A vivência do parto e a percepção de que é possível utilizar esta musculatura pode melhorar e muito a vivência sexual da mulher e de seu parceiro.

A melhor forma de prevenção da frouxidão da vagina ou da bexiga é através de exercícios que podem ser feitos com o períneo.

Evitar o parto normal ou submeter-se a episiotomia – corte cirúrgico feito na vulva e vagina para acelerar o parto – para evitar de ficar “ alargada” é um grande mito cultural hoje impregnado em nossa sociedade e que vem sendo lentamente revisto pela literatura científica.

 

Os mitos sobre o parto normal continuam

Muitos mitos e medos ainda povoam a ideia de parto na nossa cultura atual e falar sobre todos daria certamente um extenso livro.

Vale aqui lembrar que o gênero humano teve mais de 2 milhões de anos para aperfeiçoar a fisiologia da gestação e do parto.

Se herdamos defeitos, herdamos também soluções adaptativas.

Talvez jogar luz do conhecimento sobre mitos e medos culturais da nossa atualidade seja um caminho necessário para os dias atuais. É possível ter uma gestação e um parto indolor e fácil?

Sim! É possível ter uma gestação e um parto indolor e fácil. Uma das melhores ferramentas para isso é a Hipnose.

A hipnose na gestação auxilia a criar e desenvolver atitudes mais saudáveis e que envolvem:

1) Controle do peso corporal: a hipnose diminui a ansiedade durante a gestação e que é uma das principais causas da compulsão pela comida e aumento de peso desnecessário.

2) Diminuição ou retirada de dores: é possível diminuir a intensidade e até retirar a necessidade de medicamentos analgésicos ou anestésicos.

3) Insônias: a hipnose trabalha o relaxamento profundo, onde a grávida aprende a ficar tranquila de uma forma rápida, sentindo-se protegida.

4) Controle de vômitos: recentemente, na Inglaterra, Kate Middleton recorreu à hipnose para melhorar os vômitos severos durante a gravidez.

5) Diminuição e tratamento da Depressão Pós-parto: é possível trabalhar de forma efetiva o aumento da autoestima e autoconfiança eliminando também pensamentos negativo que, juntos, são as causas da depressão.

São inúmeros os benefícios dessa técnica durante o período de gestação.

 

A hipnose, assim como o parto natural, também é permeada por mitos. Desvende-os aqui. 

 

Eu acredito no pleno potencial da hipnose, não como uma simples técnica de indução ou grito, mas como uma arte que pode ser ensinada, trabalhada e compartilhada, de maneira ética, segura e profissional.

Por isso, quero te convidar a continuar aprendendo sobre o universo fascinante da mente humana, comigo, Rafael Kraisch.

Assista ao vídeo abaixo e aproveite para se inscrever em meu canal do Youtube. Novos vídeos toda semana.  

 

Rafael Kraisch 

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